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Defesa critica acusação e desmente denúncias

Nesta quarta-feira, 8, foram ouvidos os advogados Márcio Thomaz Bastos, pelo réu José Roberto Salgado, ex-vice-presidente do Banco Rural; Maurício de Oliveira Campos Júnior, pelo réu Vinicius Samarane, ex-diretor de Controles Internos do Banco Rural; Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, pela ré Ayanna Tenório Tôrres de Jesus, ex-vice-presidente do Banco Rural; Alberto Zacharias Toron, pelo réu João Paulo Cunha, deputado Federal pelo PT; Luiz Justiniano de Arantes Fernandes e José Roberto Leal de Carvalho, pelo réu Luiz Gushiken, ex-secretário de Comunicação do governo.

Márcio Thomaz Bastos criticou a acusação, afirmando que ela se baseou somente no depoimento de Carlos Godinho, ex-funcionário do Banco Rural, “que é um falsário“, e que o procurador-Geral da República Roberto Gurgel não mencionou José Roberto Salgado nas alegações finais. Ainda disse que “o fato de ele [Salgado] ser responsável por uma instituição financeira não significa que ele é responsável pelos delitos cometidos no âmbito dela“. Leia mais →

Procurador-geral pede a condenação de 36 dos 38 réus do mensalão

Em quase cinco horas de sustentação oral, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, abordou detalhes pelos quais os 38 réus da AP 470 foram denunciados perante o STF. Para Gurgel, a Procuradoria-Geral da República “comprovou as acusações que fez” contra 36 dos acusados.

Em relação a Luiz Gushiken e Antônio Lamas, pediu, nas alegações finais, absolvição por insuficiência de provas. Segundo o procurador-geral, o MP produziu “absolutamente toda prova possível, transbordantemente suficiente para a condenação dos réus”.

Sua manifestação na tarde desta sexta-feira estruturou-se na descrição das atividades dos três núcleos principais – político, operacional ou publicitário e financeiro – e na caracterização das atividades dos acusados em troca, supostamente, de apoio político. Gurgel citou vários documentos para tentar descrever como funcionariam os três núcleos.

Gurgel fez considerações gerais sobre a questão da prova, nos casos que envolvem o crime organizado. Apontou o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu como o mentor do esquema. Dedicou 25 minutos das quase 5 horas de discurso a Dirceu, e disse que a prova é contundente contra o ex-ministro. “Quando falo de quatro paredes, falo das paredes da Casa Civil, de algo que transcorria dentro do palácio da Presidência da República”, afirmou. Segundo Gurgel, os esquemas mais sofisticados arregimentam laranjas, intermediários, assessores e o “chefe não se envolve diretamente”.

O procurador-geral ainda mostrou, com detalhes, a ligação que havia entre os saques em dinheiro e as votações no Congresso Nacional.

O chefe do MPF ainda disse ter sofrido intimidações e “ataques grosseiros” após entregar suas alegações finais, em referência às críticas por suposta omissão no caso Cachoeira.

Tem início segundo dia de julgamento

Com o plenário visivelmente mais vazio, tem início o segundo dia de julgamento da AP 470. Hoje, o procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, terá cinco horas para ler a acusação aos 38 réus do mensalão. Veja aqui quem são eles.

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