Réus

Anita Leocádia

Era chefe de gabinete do deputado Paulo Rocha (PT-PA) durante o escândalo do mensalão. Atualmente, trabalha na assessoria do PT em Brasília. Acusação: A denúncia diz que ela sacou R$ 620 mil do valerioduto para Paulo Rocha. Defesa: Diz que cumpriu ordens do deputado e não sabia que ação era criminosa. Crimes de que é acusado: lavagem ou ocultação de dinheiro.

Antônio Lamas

Era assessor da liderança do extinto PL na Câmara dos Deputados. Acusação: Sacou R$ 350 mil do valerioduto para o irmão, o ex-tesoureiro do PL Jacinto Lamas, diz a Procuradoria. Defesa: Afirma que cumpriu ordens da direção do partido. O Ministério Público decidiu pedir sua absolvição devido à ausência de provas. Crimes de que é acusado: formação de quadrilha e lavagem ou ocultação de dinheiro.

Anderson Adauto

Atualmente, é prefeito reeleito de Uberaba (MG) pelo PMDB. Na época das denúncias, era ministro dos Transportes. Foi deputado estadual em Minas por quatro mandatos e deputado federal pelo PL. Admitiu ter feito caixa dois em todas as eleições que disputou e coordenou, afirmando que a prática é comum no Brasil. Acusação: Segundo a denúncia, recebeu R$ 950 mil do valerioduto e apresentou o esquema à cúpula do PTB. Defesa: Diz que o dinheiro era para saldar dívidas da campanha eleitoral de 2002 e ele desconhecia sua origem ilícita. Nega ter apresentado o esquema ao PTB. Crimes de que é acusado: lavagem ou ocultação de dinheiro e corrupção ativa.

Ayanna Tenório

Assumiu o cargo de vice-presidente do Banco Rural em 2004. Atualmente, trabalha como consultora de Recursos Humanos. Acusação: Autorizou a renovação dos empréstimos no Banco Rural, de acordo com a Procuradoria. Também é acusada de não ter notificado o Banco Central sobre as operações suspeitas feitas pelas empresas de Marcos Valério. Defesa: Diz que cuidava da área de recursos humanos do banco e apenas seguiu orientação de José Roberto Salgado para votar em renovação de empréstimos. Afirma que só começou a ser responsável por notificar o Banco Central sobre movimentações suspeitas em janeiro de 2005, ou seja, depois dos acontecimentos. Crimes de que é acusada: formação de quadrilha, lavagem ou ocultação de dinheiro e gestão fraudulenta.

Bispo Rodrigues

Ligado à Igreja Universal, começou sua carreira parlamentar na Câmara em 1999, sendo reeleito deputado pelo PL em 2003. Renunciou ao mandato para evitar ser cassado em 2005. Atualmente, é empresário de telecomunicações. Acusação: Segundo a Procuradoria, recebeu R$ 150 mil do valerioduto para votar a favor do governo. Defesa: Afirma que não vendeu voto na Câmara e que o dinheiro era para pagar dívidas da campanha eleitoral de 2002. Crimes de que é acusado: lavagem ou ocultação de dinheiro e corrupção passiva.

Breno Fischberg

Era sócio-proprietário da corretora Bônus Baval. Acusação: De acordo com a Procuradoria, recebeu R$ 11 milhões do valerioduto para repassar o dinheiro a pessoas ligadas ao PP. A estratégia era esconder a origem do dinheiro usado no esquema. Defesa: Diz que desconhecia a origem ilícita dos recursos e os destinatários dos repasses indicados por Marcos Valério. Crimes de que é acusado: lavagem ou ocultação de dinheiro e formação de quadrilha.

Carlos Alberto Quaglia

Era dono da corretora Natimar na época do mensalão.  Acusação: A denúncia diz que ele emprestou a corretora para que a Bônus Banval repassasse parte dos recursos destinados ao PP. Defesa: Argumenta que a conta de sua empresa foi usada contra sua vontade e notificou a Bônus Banval ao perceber o problema, para que o dinheiro fosse devolvido aos seus donos. Crimes de que é acusado: lavagem ou ocultação de dinheiro e corrupção passiva.

Carlos da Silva – Professor Luizinho

Era líder do governo na Câmara quando o escândalo do mensalão estourou e hoje é empresário na Bahia. Petista desde a fundação do partido, foi deputado estadual por dois mandatos. Absolvido no processo de cassação na Câmara em 2005, tentou se eleger vereador em Santo André (SP) em 2008, sem sucesso. Acusação: Recebeu R$ 20 mil do valerioduto, afirma o Ministério Público. Defesa: Diz que, sacado por um assessor sem o seu conhecimento, o dinheiro foi repassado ao PT para pagar dívidas da campanha de 2004. Crimes de que é acusado: lavagem ou ocultação de dinheiro.

Cristiano Paz

Na época do escândalo, era sócio-presidente das empresas SMP&B e da Graffiti. Atualmente, é dono de uma agência, em sociedade com seu filho. Acusação: Participou da negociação dos empréstimos e da distribuição de recursos a políticos, com o objetivo de obter contratos de publicidade, diz a denúncia. O empresário também é acusado de remessa irregular de dinheiro para o exterior. Defesa: Afirma que os empréstimos foram regulares, assim como a execução dos contratos de publicidade. Diz que não tinha responsabilidade pelos setores administrativos e financeiros das agências. Crimes de que é acusado: formação de quadrilha, lavagem ou ocultação de dinheiro, corrupção ativa, Peculato e evasão de divisas

Delúbio Soares

Entrou para a política nos anos 1970, no Movimento da Anistia, em Goiânia. Professor de matemática, foi um dos fundadores do PT, da CUT e do Sintego (Sindicado dos Trabalhadores em Educação no Estado de Goiás). Era o tesoureiro do PT quando o mensalão veio à tona. Expulso da sigla no auge do escândalo, foi reintegrado em 2011 e vive em Goiânia, onde trabalha para voltar à política. Acusação: Responsável pelas finanças do PT na campanha presidencial de 2002 e no início do governo Lula, negociou com Marcos Valério a montagem do esquema, segundo a Procuradoria, e orientou a distribuição de recursos para os partidos aliados ao governo. De acordo com a denúncia, mandou assessores sacarem R$ 550 mil do valerioduto. Defesa: Confirma os empréstimos de Marcos Valério, mas diz que o dinheiro era para saldar dívidas contraídas pelo PT e pelos partidos governistas em campanhas eleitorais, e não para comprar votos no Congresso. Afirma que não ofereceu vantagem indevida para servidores públicos e que é “inútil” comprar votos de parlamentares de partidos já aliados. Crimes de que é acusado: formação de quadrilha e corrupção ativa.

Emerson Palmieri

Foi primeiro-secretário do PTB e trabalhava como tesoureiro informal do partido, ajudando na arrecadação de recursos. Quando o escândalo veio à tona, pediu demissão da diretoria de Administração e Finanças da Embratur, cargo que ocupava desde 2003. Acusação: De acordo com a denúncia, participou das negociações em que o PT prometeu arranjar R$ 20 milhões para o PTB. Teria recebido do valerioduto R$ 4 milhões para o partido. Defesa: Afirma que cumpria ordens da direção do PTB, sem autonomia para tomar decisões sozinho. Nega que fosse tesoureiro informal do partido. Crimes de que é acusado: lavagem ou ocultação de dinheiro e corrupção passiva.

Enivaldo Quadrado

Era sócio-proprietário da Bônus Banval. A corretora teve seu registro cancelado em 2009. Acusação: Recebeu, segundo a Procuradoria, R$ 11 milhões do valerioduto para repassar o dinheiro a pessoas ligadas ao PP. Defesa: Diz que desconhecia a origem ilícita dos recursos e os destinatários dos repasses indicados por Marcos Valério. Crimes de que é acusado: formação de quadrilha e lavagem ou ocultação de dinheiro

Geiza Dias

Era gerente financeira da SMP&B, subordinada a Simone Vasconcelos. Acusação: Segundo o Ministério Público, ela ajudava a distribuir recursos do valerioduto para deputados. Defesa: Afirma que cumpria ordens e não sabia dos acordos da empresa com o PT. Crimes de que é acusada: formação de quadrilha, lavagem ou ocultação de dinheiro, corrupção ativa e evasão de divisas.

Henrique Pizzolato

Era diretor de marketing do Banco do Brasil na época do esquema. Sindicalista e petista desde a década de 80, foi presidente do fundo de pensão Previ (Banco do Brasil) e trabalhou na campanha de Lula em 2002, ao lado de Delúbio Soares. Acusação: De acordo com a Procuradoria, recebeu R$ 336 mil do valerioduto e autorizou um adiantamento de R$ 73 milhões do fundo Visanet para a DNA, a agência de Marcos Valério que tinha contrato de publicidade com o BB. Defesa: Diz que A fiscalização do contrato com a DNA e a administração do fundo Visanet não faziam parte de suas atribuições. Crimes de que é acusado: lavagem ou ocultação de dinheiro, corrupção passiva, Peculato e gestão fraudulenta.

Jacinto Lamas

Foi tesoureiro do PL e trabalhava como assessor de Valdemar Costa Neto (PL-SP) na época do mensalão. Acusação: Sacou R$ 1 milhão do valerioduto para o PL, segundo a denúncia. Defesa: Afirma que cumpriu ordens do chefe, o deputado Valdemar Costa Neto, e que não sabia da origem ilegal do dinheiro. Crimes de que é acusado: formação de quadrilha, lavagem ou ocultação de dinheiro e corrupção passiva.

João Cláudio Genu

É filiado ao PP e era assessor de José Janene na época do escândalo do mensalão. Acusação: A Procuradoria diz que ele sacou R$ 1 milhão do valerioduto para o PP. Defesa: Diz que cumpriu ordens do chefe, o deputado Janene, e não sabia que estava cometendo crimes. Crimes de que é acusado: formação de quadrilha, lavagem ou ocultação de dinheiro e corrupção passiva.

João Magno

Na época do escândalo, era deputado federal pelo PT-MG. Foi vice-prefeito de Ipatinga/MG em 1988, elegeu-se prefeito em 1991 e entrou na vida parlamentar ao assumir como suplente na Câmara em 2001. Absolvido no processo de cassação em 2006, trabalha como consultor na área de educação em Ipatinga. Acusação: Segundo a Procuradoria, recebeu R$ 360 mil do valerioduto. O dinheiro teria sido enviado por Marcos Valério em depósitos em contas de seus assessores. Defesa: Argumenta que o dinheiro era para pagar dívidas de campanhas eleitorais. Crimes de que é acusado: lavagem ou ocultação de dinheiro.

João Paulo Cunha

Era deputado pelo PT em terceiro mandato na época das denúncias. Absolvido no processo de cassação na Câmara em 2005, foi reeleito em 2006 e 2010 e hoje preside a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Acusação: De acordo com a Procuradoria, recebeu R$ 50 mil do valerioduto para contratar uma das agências de Marcos Valério, a SMP&B, quando presidia a Câmara dos Deputados, e foi beneficiado pelo desvio de recursos públicos repassados à agência. Defesa: Afirma que o dinheiro do valerioduto era para pagar uma pesquisa eleitoral e ele desconhecia sua origem ilícita. Nega ter cometido irregularidades na contratação da agência e na execução do contrato. Crimes de que é acusado: lavagem ou ocultação de dinheiro, corrupção passiva e Peculato.

José Borba

Atualmente prefeito de Jandaia do Sul (PR) pelo PP, José Borba era deputado federal pelo PMDB-PR na época das denúncias do mensalão. Em 2005, renunciou à cadeira na Câmara para evitar ser cassado. Acusação: Segundo a denúncia, ele recebeu R$ 200 mil do valerioduto para votar a favor do governo. Defesa: Nega ter recebido o dinheiro e diz que apoiava o governo por convicção. Crimes de que é acusado: lavagem ou ocultação de dinheiro e corrupção passiva.

José Dirceu

Em 2005, era ministro da Casa Civil e deixou o cargo após o escândalo. Um dos principais líderes do PT, começou sua carreira política como líder estudantil e foi preso pelo regime militar em 1968. Depois de um exílio em Cuba, voltou ao Brasil clandestinamente em 1974. Recebeu a anistia em 1979 e ajudou a fundar o PT em 1980. Com o mandato de deputado cassado em 2005, tornou-se inelegível até 2015. Virou consultor de empresas e mantém influência no partido.  Acusação: Chefe da campanha que elegeu o ex-presidente Lula em 2002, negociou, segundo a Procuradoria, acordos com os partidos políticos que apoiaram o novo governo e a criação de um esquema clandestino de financiamento que distribuiu recursos ao PT e a seus aliados para garantir apoio no Congresso. Defesa: Afirma que se desligou do PT quando assumiu a chefia da Casa Civil e não participou das ações do partido, que eram de responsabilidade de seus dirigentes. Diz que nunca teve relações próximas com Marcos Valério e outros operadores do esquema e nega ter comprado votos no Congresso. Crimes de que é acusado: formação de quadrilha e corrupção ativa.

José Eduardo Mendonça  (Duda Mendonça)

É publicitário e foi responsável pela campanha vitoriosa de Lula em 2002. Em 2010, voltou a trabalhar com campanhas políticas. Acusação: Segundo a Procuradoria, recebeu R$ 11 milhões do valerioduto, dinheiro que não declarou e teve parte transferida ilegalmente para contas no exterior. Defesa: Diz que desconhecia a origem ilícita dos recursos e que o dinheiro era para saldar dívidas da campanha de 2002. Segundo ele, os depósitos mantidos no exterior são regulares, com valores abaixo do que é obrigatório declarar ao Banco Central. Crimes de que é acusado: lavagem ou ocultação de dinheiro, evasão de divisas e gestão fraudulenta.

José Genoino

Foi membro da direção da UNE (União Nacional dos Estudantes), entrou para o PC do B e participou da Guerrilha do Araguaia nos anos 70. Em 1982 foi eleito deputado federal pelo PT. Obteve mais cinco mandatos na Câmara, o último deles entre 2006 e 2010. Presidente do PT à época do mensalão, atualmente é assessor especial do Ministério da Defesa. Acusação: De acordo com a Procuradoria, participou das negociações com os partidos aliados e com os bancos que alimentaram o valerioduto e orientou a distribuição do dinheiro do esquema. Defesa: Diz que não lidava com as finanças do PT, apenas com a articulação polícia. Afirma que só assinou os contratos dos empréstimos dos bancos por obrigação formal como presidente da sigla. Nega ter orientado a distribuição de recursos do valerioduto. Crimes de que é acusado: formação de quadrilha e corrupção ativa.

José Luiz Alves

Ex-chefe de gabinete de Anderson Adauto no Ministério dos Transportes, atualmente é presidente Centro Operacional de Desenvolvimento e Saneamento de Uberaba, cidade administrada atualmente pelo ex-ministro. Acusação: Sacou R$ 600 mil para o então ministro Anderson Adauto, diz a Procuradoria. Defesa: Diz que cumpriu ordens do chefe. Nega ter feito só dois dos 17 saques apontados pelo Ministério Público. Crimes de que é acusado: lavagem ou ocultação de dinheiro

José Roberto Salgado

Era diretor do Banco Rural quando o escândalo do mensalão veio à tona. Atualmente, trabalha como consultor de empresas em Belo Horizonte. Acusação: A denúncia diz que ele autorizou a contratação e a renovação dos empréstimos para o PT e as empresas de Marcos Valério e transferiu ilegalmente recursos para o publicitário Duda Mendonça no exterior. Defesa: Diz que cuidava da área internacional do banco e não participou da negociação e da aprovação dos empréstimos. Afirma que movimentou recursos de Duda no exterior, mas não participou da transferência do dinheiro para fora do país. Crimes de que é acusado: formação de quadrilha, lavagem ou ocultação de dinheiro, evasão de divisas e gestão fraudulenta.

Kátia Rabello

Presidia o Banco Rural à época do mensalão e permanece na instituição financeira. Acusação: A Procuradoria diz que, Como presidente do Banco Rural, ela negociou os empréstimos que alimentaram os cofres do PT e o valerioduto na esperança de obter do governo vantagens na liquidação do Banco Mercantil de Pernambuco. Defesa: Argumenta que os empréstimos eram regulares. Ela admitiu ter se reunido com José Dirceu duas vezes, em encontros arranjados por Marcos Valério, mas diz que essas conversas não resultaram em vantagens para o banco. Nega o interesse na liquidação do Mercantil. Crimes de que é acusada: formação de quadrilha, lavagem ou ocultação de dinheiro, evasão de divisas e gestão fraudulenta.

Luiz Gushiken

Era secretário de Comunicação do governo em 2005. Com a divulgação das denúncias, foi rebaixado a assessor especial da Presidência, até pedir demissão em 2006, logo após a reeleição de Lula. Afastou-se da política para trabalhar como consultor de empresas em São Paulo. O Ministério Público decidiu pedir sua absolvição por falta de provas. Acusação: De acordo com a denúncia, ele autorizou Pizzolato a adiantar os pagamentos do fundo Visanet para a DNA. Defesa: Afirma que não tinha influência sobre a distribuição dos recursos do fundo Visanet. Crimes de que é acusado: peculato.

Marcos Valério

Em 2005, era sócio nas agências DNA Propaganda e SMP&B Comunicação, que tinha cinco contas do governo federal, entre elas a do Banco do Brasil. Ficou preso por três meses em 2009, acusado de sonegação fiscal, e novamente em 2011, por causa de uma fraude com títulos de terra na Bahia. Foi condenado em fevereiro a nove anos de prisão por sonegação e falsificação de documentos públicos e recorre em liberdade. Vive em Belo Horizonte e tem negócios como consultor e pecuarista. Acusação: Segundo a Procuradoria, ele criou o esquema clandestino que financiou o PT e outros partidos governistas, desviando recursos obtidos com contratos de publicidade firmados com o Banco do Brasil e a Câmara dos Deputados e usando empréstimos fraudulentos dos bancos Rural e BMG para disfarçar a origem do dinheiro. Defesa: Diz que os empréstimos foram regulares, não houve desvios na execução dos contratos de publicidade e os serviços foram prestados adequadamente. O dinheiro, afirma, foi distribuído aos políticos era para pagar dívidas que eles contraíram em campanhas eleitorais, e não para comprar votos no Congresso. Crimes de que é acusado: formação de quadrilha, lavagem ou ocultação de dinheiro, corrupção ativa, Peculato e evasão de divisas.

Paulo Rocha

Era o líder da bancada do PT na Câmara quando foi envolvido nas denúncias do mensalão. Sindicalista, foi eleito deputado pela primeira vez em 1990 e renunciou ao seu quarto mandato em 2005 para evitar ser cassado. Em 2010, concorreu ao Senado, mas não se elegeu. Acusação: Recebeu R$ 820 mil do valerioduto, afirma o Ministério Público. Defesa: Diz que o dinheiro era para pagar dívidas da campanha eleitoral de 2002. Crimes de que é acusado: lavagem ou ocultação de dinheiro.

Pedro Corrêa

Era deputado Federal pelo PP. Foi cassado em 2006 por quebra do decoro parlamentar e teve seus direitos políticos suspensos até 2014. Acusação: autorizou João Cláudio Genu, ex-assessor do PP – partido do qual era dirigente nacional – a sacar R$ 700 mil de uma das contas do publicitário Marcos Valério. Defesa: o saque feito na conta de Valério era para pagar honorários do advogado que defendeu o então deputado Ronivon Santiago (PP-AC) em processos na Justiça Eleitoral, e teria sido ofertado ao PP pelo PT para promover um acordo eleitoral entre as duas legendas. Crimes de que é acusado: corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Pedro Henry

Era líder do PP na Câmara quando o mensalão veio à tona. Além do escândalo, é acusado de envolvimento na Máfia das Sanguessugas, esquema de licitações irregulares para compra de ambulâncias. Atualmente, é secretário de Saúde de Cuiabá. Acusação: A Promotoria diz que ele participou das negociações que levaram ao repasse de pelo menos R$ 3 milhões do valerioduto para o PP e ao uso da corretora Bônus Banval para distribuir o dinheiro. Defesa: Nega ter tratado de assuntos financeiros com o PT e diz que não tinha conhecimento da origem ilegal dos valores recebidos pelo PP. Crimes de que é acusado: formação de quadrilha, lavagem ou ocultação de dinheiro e corrupção passiva.

Ramon Hollerbach

Na época do escândalo, era sócio de Marcos Valério no grupo de empresas do qual faziam parte a SMP&B e a DNA Propaganda. Hoje, Hollerbach é dono de uma consultoria em Belo Horizonte. Acusação: De acordo com a Procuradoria, ele participou da negociação dos empréstimos e dos contratos de Marcos Valério com o Banco do Brasil e a Câmara dos Deputados. Defesa: Diz que cuidava das peças publicitárias produzidas por uma das agências de Valério e não lidava com assuntos financeiros. Confirma os empréstimos para o PT, mas nega saber qual era o destino real do dinheiro. Crimes de que é acusado: formação de quadrilha, lavagem ou ocultação de dinheiro, peculato e evasão de divisas.

Roberto Jefferson

É o delator do mensalão. Em entrevista à Folha no dia 6 de junho de 2005, o então deputado federal revelou um esquema de pagamento mensal a deputados para que eles votassem a favor do governo no Congresso. Cassado pela Câmara em 2005, é atualmente o presidente do PTB, que apoia o governo Dilma Rousseff no Congresso. Acusação: É acusado de receber R$ 4,8 milhões do valerioduto para votar a favor do governo no Congresso, depois de fechar um acordo em que o PT prometeu entregar R$ 20 milhões para o PTB. Defesa: Afirma que desconhecia a origem ilícita dos recursos e nega ter votado a favor do governo em troca de dinheiro. Diz que as negociações com o PT faziam parte de um acordo para as eleições municipais de 2004. Crimes de que é acusado: lavagem ou ocultação de dinheiro e corrupção ativa.

Rogério Tolentino

É advogado e era sócio das empresas de Marcos Valério envolvidas no escândalo do mensalão. Acusação: Participou, segundo a denúncia, da negociação dos empréstimos e ajudou a montar o esquema de distribuição dos recursos para os políticos. Defesa:Afirma que os empréstimos foram regulares. Nega ter participado da distribuição do dinheiro. Crimes de que é acusado: formação de quadrilha, lavagem ou ocultação de dinheiro e corrupção ativa.

Romeu Queiroz

É advogado e empresário e ingressou na carreira política em 1987, como deputado constituinte em Minas Gerais. Eleito deputado estadual em 1990 e 1994, foi líder do governo na Assembleia durante a gestão de Eduardo Azeredo (PSDB) no Estado, também acusado de envolvimento com Marcos Valério. Absolvido no processo de cassação na Câmara em 2005, trocou o PTB pelo PSB e hoje é deputado estadual em Minas. Acusação: Segundo a Procuradoria, recebeu R$ 102 mil da Usiminas, repassados pela SMP&B na campanha de 2004. Defesa: Admite o recebimento dos recursos doados pela Usiminas, mas diz que apenas repassou os valores para o PTB enquanto exercia a função de segundo secretário da legenda. Crimes de que é acusado: lavagem ou ocultação de dinheiro e corrupção passiva.

Simone Vasconcelos

Era diretora financeira da SMP&B na época do mensalão. Deixou a agência e hoje trabalha em uma empresa de pesquisas em Belo Horizonte. Acusação: A Procuradoria afirma que ela distribuiu o dinheiro do valerioduto, dando instruções ao Banco Rural, sacando cheques na boca do caixa e fazendo pagamentos pessoalmente. Defesa: Admite ter entregado o dinheiro, mas diz que cumpria ordens de Marcos Valério e seus sócios, sem saber o objetivo dos pagamentos. Crimes de que é acusado: formação de quadrilha, lavagem ou ocultação de dinheiro, corrupção ativa e evasão de divisas.

Valdemar Costa Neto

Era deputado federal pelo PL quando o caso do mensalão veio à tona. Renunciou ao mandato para evitar a cassação em 2005. Articulou a fusão do PL com o Prona para criar o PR, foi eleito de novo para a Câmara em 2006 e reelegeu-se em 2010. Acusação: O Ministério Público diz que ele recebeu R$ 8,8 milhões do valerioduto e usou uma empresa fantasma, a Guaranhuns, para disfarçar a origem do dinheiro. Teria negociado com o PT um acordo para obter os recursos em troca do apoio do PL ao governo no Congresso. Defesa: Diz que o dinheiro era para pagar dívidas da campanha eleitoral de 2002, e não para comprar votos no Congresso. Afirma que, por orientação do PT, contratou um empréstimo com a Guaranhuns para antecipar o recebimento do dinheiro que mais tarde seria repassado pelo valerioduto. Crimes de que é acusado: formação de quadrilha, lavagem ou ocultação de dinheiro e corrupção passiva.

Vinícius Samarane

 Era diretor de Controles Internos do Banco Rural à época do mensalão. Atualmente, é vice-presidente do banco. Acusação: Deixou de comunicar às autoridades sobre os saques do valerioduto e as irregularidades nos empréstimos, afirma a Procuradoria. Defesa: Afirma que não participou da negociação dos empréstimos nem os autorizou. Argumenta que não era diretor quando os saques ocorreram e diz não conhecer os outros acusados que não são do Banco Rural. Crimes de que é acusado: formação de quadrilha, lavagem ou ocultação de dinheiro, evasão de divisas e gestão fraudulenta.

Zilmar Fernandes

É sócia do marqueteiro Duda Mendonça em sua agência de publicidade. Acusação: De acordo com a denúncia, sacou R$ 1,4 milhão do valerioduto para Duda Mendonça e transferiu recursos ilegalmente para o exterior. Defesa: Afirma que desconhecia a origem ilícita dos recursos. O dinheiro era para saldar dívidas da campanha de 2002. Segundo ela, os depósitos mantidos no exterior são regulares. Crimes de que é acusado: lavagem ou ocultação de dinheiro, evasão de divisas e gestão fraudulenta.

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